Participação do Brasil no mercado transoceânico de minério de ferro sobe para 27%

O Brasil deve aumentar sua fatia no mercado exportador de minério de ferro para 27,1% em 2017, enquanto que a participação da Austrália deve subir para 57,7%. As informações são do relatório “Resources and Energy Quarterly”, Departamento de Indústria Inovação e Ciência da Austrália, divulgado na última sexta-feira (7).

Em 2015, a participação do Brasil nesse mercado foi de 25,7% e a previsão para este ano, segundo o departamento australiano, é de 26,8%.

O crescimento da exportação dos dois países será viabilizado pelo ramp-up da produção nova em minas de baixo custo e pela expansão de operações existentes no fim deste ano e durante 2017. “O suprimento adicional da Austrália e do Brasil vai pressionar negativamente o preço durante o período de previsão”, diz o documento

A produção adicional do Brasil virá, principalmente, do projeto S11D, da Vale, em Carajás, no Pará, que está na fase final de construção. Espera-se que o S11D produza 75 milhões de toneladas por ano (Mtpa) de minério de alto teor, sendo que mais da metade deverá ser exportada para a Ásia. O ramp-up, fase que vai do start-up até se atingir a produção comercial esperado ou estável, deve durar quatro anos.
unnamed

O crescimento da exportação da Austrália e do Brasil também deve aumentar apoiada pela preferência crescente das siderúrgicas da China por minérios de alto teor para reduzir emissões poluentes, uma vez que as “operações enfrentam restrições ambientais cada vez maiores”.

“Em contrastes com o teor médio de 34% para as reservas provadas da China, o teor médio das reservas na Austrália e no Brasil são de, respectivamente, 58% e 53% com teores ainda maiores em depósitos específicos. Por exemplo, o S11D da Vale tem reservas com teor estimado de 67%, e Jimblebar, da BHP Billiton, tem reserva com teor estimado de 63%”, diz o relatório.

A previsão é que o mercado mundial de minério de ferro cresça 0,7%, em 2016, e 4,5%, em 2017. Apesar de a demanda global estar com excesso de oferta, o crescente mercado mundial encontrará suporte na contínua substituição da produção doméstica da China por minérios importados. Segundo o documento, o consumo de aço no Brasil neste ano deve ser de aproximadamente 16 Mt e, no ano que vem, 14 Mt, apenas metade do consumo registrado em 2014.